X – Corpos Espelhados

The promotional video created for the event TEDx used mirrored body images to generate dynamic arabesque patterns. Instead of using computer graphics, as would be usual, mirroring is done through a huge prism mirror. The concept was based on the event theme “Ideas Worth Doing”.

O vídeo promocional criado para o evento TEDx utilizou a imagem de corpos espelhados para gerar texturas arabescas dinâmicas.

Difícil dizer qual imagem é mais atraente. O que cativa é a fluidez e ao mesmo tempo as diferentes qualidades de movimento advindas do corpo humano, o que nunca veríamos em um caleidoscópio comum. Um momento particularmente interessante é quando os dançarinos soltam os balões de hélio que desempenham uma trajetória orgânica e evidenciam uma tridimensionalidade até então disfarçada.
 
Neste próximo vídeo podemos ver como foi feita a vinheta. Um enorme prisma de espelhos foi construído para filmagem da coreografia. É isso mesmo, todo o espelhamento de imagens foi feito sem computação gráfica. Nem mesmo a cor do chão é editada digitalmente, as cores de fundo que se alternam são modificadas através de esteiras mecânicas. A complexidade da criação é baseada no tema do evento “Idéias que valem ser feitas” (Ideas worth doing), uma bela representação do contraste LowTech x HighTech.

A grandiosidade desta ferramenta visando um efeito visual, lembra o post sobre Gravity Shift, que cria um enorme cenário mecânico para explorar a percepção da força da gravidade.

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Cluster – corpo coletivo

 

The video ‘Cluster’ explores the contrast between the collective and the individual through an amorph mass composed of bodies that liquefy among kinetic forces.

Cluster, é um projeto do artista austríaco Kurt Hentschlager. Na animação, o artista explora o contraste entre o coletivo e o indivíduo através de imagens de corpos em movimento. O vídeo apresenta uma massa em constante mutação que revela por breves momentos sua constituição. Os corpos se liquefazem em meio a forças cinéticas. O indivíduo se perde na multidão, se delineando apenas por fragmentos de seu corpo.

Segundo o autor:
“Na leve coreografia de ‘CLUSTER’, figuras humanas aparecem principalmente como partículas anônimas. Uma pulsação, uma massa amorfa, uma nuvem de matéria borrada de partes do corpo e luz. Por sua natureza generativa, nunca plenamente previsível, ‘CLUSTER’ descreve um meta-organismo com caráter anti-individualista.”

Uma versão melhor do vídeo pode ser vista aqui!

Escultura dinâmica – Unnamed Soundsculpture

  

Unnamed Soundsculpture is a video-dance-sound-sculpture created by Daniel Franke & Cedric Kiefer. They captured a dancer by three different angles to create a dinamic virtual sculpture that is constantly recreating itself from different moments of the body movement. 


 
O projeto ‘Unnamed Soundsculpture’ de Daniel Franke & Cedric Kiefer cria uma escultura dinâmica a partir da relação entre o movimento e o som. Uma escultura comprometida com o processo de reconstrução permanente através da constante atualização de diferentes ângulos de um corpo dançante. As partículas se fixam e escorrem a partir deste corpo inconstante, que subitamente se desintegra e se reconstrói a partir de um outro estado do movimento.

Solicitaram a uma dançarina para uma forma de visualização da música através de seu corpo, ou uma dança que estivesse intimamente relacionada a sonoridade da música. Esta performance foi capturada por três kinects simultaneamente e depois composta em através de computação gráfica para uma visão completa do corpo, visto que um kinect só permitiria a visão espacial de um único ponto de vista. O vídeo making off pode ser visto a seguir.

Este trabalho dialoga de certa forma com um trabalho anterior de Daniel Franke com Andreas Fischer. O videclipe da musica We are the World(Not in Death) em que após dançar por alguns minutos a imagem do dançarino começa a se deformar gradualmente, passando de um leve “motion blur” (efeito ótico para movimentos muito rápidos em que não conseguimos ver o objeto nitidamente) até uma desconfiguração espacial completa de seu corpo em movimento.

Formas: o desempenho espacial do atleta

Forms is a video installation that visually interprets the movement of athletes, considering the invisible forces that act on the space around the body. More info at: memo.tv / forms

 

Forms é um projeto que estuda formas de representação do movimento humano, evitando uma demonstração fiel da trajetória dos membros do corpo. Uma interpretação entre relações de equilíbrio, graça, conflito e poder procurando evidenciar as forças invisíveis que atuam no espaço. Para isso se inspiram em movimentos de atletas que exploram o limite de seu corpo na busca pelo alto desempenho.
O trabalho é resultado da colaboração entre Memo Akten e Quayola.
O vídeo apresenta o processo de desenvolvimento, podemos ver cada uma das formas de representação separadamente, bem como o vídeo original em câmera lenta e a animação resultado da composição da interpretação do movimento. Para compreensão do movimento os artistas utilizaram diferentes comportamentos de partículas e linhas que se integram na leitura espacial do corpo em si, e também no prolongamento de suas ações. O vídeo foi encomendado para a exposição “In The Blink of an Eye” que abriga, entre outros, fotografias de Muybridge, uma das inspirações da obra. A exposição faz parte da agenda cultural em apoio aos jogos Olímpicos de Londres.

O trabalho é tão complexo que necessita ser visto várias vezes para atentar as diferentes camadas do movimento. Abaixo pode ser visto o resultado da composição em mais detalhes, o resultado de esculturas virtuais tridimensionais criadas a partir desta interpretação.

Ghostcatching – explorando o desenho

Ghostcatching is a video that fuses dance, drawing, and computer composition.

“So, we may ask: What is human movement in the absence of the body? Can the drawn line carry the rhythm, weight, and intent of physical movement?”

Bill T. Jones – the dancer

O vídeo Ghostcatching veio a partir de uma inquietação de Paul Kaiser ao observar crianças desenhando. O artista, que integra o OpenEndedGroup percebeu que tinha mais fascínio pelo ato de desenhar das crianças do que pelo desenho em si. A partir deste momento começou a explorar este momento da formação do desenho.

Após passar por um estágio de explorar este desenho através do tempo (animação), começaram a se instigar na formação deste desenho pelo espaço. A partir daí, o projeto começou a se aproximar do universo da dança, buscando referências em experimentos e conceitos do artista teatral Robert Wilson e do dançarino e coreógrafo Merce Cunningham.

O grupo então, se uniu ao dançarino Bill T. Jones para desenvolver GhostCatching em 1999. O projeto utilizou a captura de movimento para explorar este desenho do corpo. O interessante é que ao discutir o projeto com o dançarino e coreógrafo William Forsythe, Paul Kaiser mais uma vez se surpreendeu com a descrição do movimento e da coreografia através da transformação de uma geometria invisível. Para execução do projeto, o grupo convidou o dançarino Bill T. Jones para performar. O dançarino duvidou que somente os sensores utilizados(bolinhas brancas) fossem conseguir captar toda a complexidade do movimento, o corpo então também foi representado em desenho. A dança foi trabalhada com computação gráfica enfatizando certos movimentos de determinadas partes do corpo, gerando o esperado desenho do movimento. Além disso, o corpo do dançarino foi multiplicado, no palco virtual. O resultado pode ser visto a seguir. Para quem tiver mais interesse, todo o processo está descrito de uma forma muito interessante em um texto que está disponível no site do grupo.

Em 2010, o grupo revisitou o projeto, atualizando a imagem tridimensional com maiores detalhes e texturas.

I’m a Chain Reaction

 Performance made ​​from the interaction between dance, animation and music. An excellent example of collaborative work between developer, visual artist and choreographer resulting in complete hybridization.

 

Hoje temos mais um exemplo da interseção entre dança e animação, minhas duas antigas paixões, acrescentando programação, minha recente aquisição.

I am a Chain Reaction é uma das sete partes que compoem o projeto SmashUp.
O artista gráfico James Peterson, o programador Amit Pitaru e a coreógrafa Dana Gingras se reuniram para desenvolver este projeto.
Amit Pitaru e James Peterson tem um projeto coletivo que desenvolvem várias formas de interação com desenhos. Boa parte dos trabalhos deles é voltado para web, e interação via mouse, porém para este projeto a interação se dava através do corpo das dançarinas.

Quanto ao processo de criação é de difícil compreensão, acredito que a coreografia tenha sido desenvolvida inspirada na animação que foi desenvolvida a partir de uma interação em que a programação já incluía certas poses programadas. Vou tentar perguntar aos criadores para entender melhor sobre o processo. Mas com certeza, o resultado final é bem intrigante e demonstra o talento de cada área de criação. Um exemplo perfeito de obra colaborativa e hibridização.

————- ATUALIZADO em 10/02/2012
Pessoal, encontrei um vídeo que explica melhor o software desenvolvido para criar a animação. Mandei umas perguntas para os três criadores, espero que eles respondam.

Animação e dança

Hoje vou fazer um post diferente, trazendo dois exemplos sensacionais que renovam técnicas distintas e tradicionais de animação.

 
Frictions é o trabalho de conclusão de Steven Briand, utiliza stop motion para criar estes fluxos, que passam pelo corpo e pelo ambiente.

 
 
Thought of you foi concebido por Ryan J Woodward, que junto com Cambell Christensen realizou audições com bailarinos para filmarem referências para os movimentos dos dançarinos do curta. Poderíamos dizer que é um curta em rotoscopia, técnica que desenha frame a frame “por cima de um filme”, porém Thought of You vai muito além disso, acrescentando efeitos e sutilezas que tornam a animação uma referência.


Embora completamente diferentes um do outro, acredito que tenham uma semelhança, curiosamente algo que tenho pensado muito a respeito. As duas tratam o movimento como um prolongamento do corpo, mas em muitos momentos esta multiplicação se volta contra ele, reagindo inesperadamente. As animações tratam de relações, não sei se minha mente anda viciada em meu projeto, e das formas de se relacionar deste corpo que amplifica esta força, que pode ser uma paixão, uma ilusão, ou talvez uma força como a gravidade. Enfim, o corpo e nossas mentes amplificam o poder destas forças, fantasiando com elas, a ponto de terem vida própria, se tornam fluxos de energia. E o desafio é brincar com elas, sua própria criação.