Gravity Shift

Gravity Shift surgiu da constatação de que apesar da utilização de técnicas teatrais como vôos suspensos em espetáculos de dança e teatro, a percepção da força da gravidade permanece constante.

A partir disso o artista digital Nic Sandiland e o coreógrafo Yael Flexer desenvolveram uma instalação para apresentação de uma performance e uma vídeo-dança. O resultado foi uma plataforma móvel com uma câmera fixa. Portanto pode ser visto de dois pontos de vista. Para um espectador presente, sua visão em ângulo “natural” percebe as variações deste chão. Para um espectador telemediado o ângulo do chão permanece o mesmo em corpos com movimentos inesperados.

Mais uma vez nos deparamos com a necessidade de se estar presente para ter maior compreensão da obra. Gostaria de ter maior acesso ao vídeo filmado do ponto de vista fixo. Não sei se houve a concepção de um espetáculo completo utilizando a máquina desenvolvida. Os potenciais são enormes. Ultimamente tenho pensado muito em como se desenvolver poéticas que revelem estas forças externas aos nossos corpos e mentes, e da nossa constante adaptação e relação com elas e com nossos desejos. É interessante perceber que em arte e tecnologia muitas vezes nos deixamos levar pelo processo e ao finalizar o desenvolvimento da “máquina” nos perdemos no investigar de nossas próprias potencialidades que resultam na arte em si. Neste caso, a instalação pode ser apenas uma proposta para qualquer pessoa, ou pode se desenvolver um espetáculo específico para esta situação, ambas as possibilidades são válidas. E isto se aplica a muitas das obras interativas, principalmente as que aproximam do espetáculo e da performance.

—–>> UPDATE O video anterior foi retirado do Youtube, mas encontrei uma nova versão no vimeo 21/02/2013

7 respostas em “Gravity Shift

  1. Muito bom. E o resultado final fica impressionante, eu não tinha imaginado que fossem traquear o piso, perfeito.

  2. Babi,
    achei muito interessante e cheio de potencial, mas ainda o vejo como uma experiência. É claro que esse vídeo é da experiência da tecnologia, mas já mostra todo um potencial performático e cênico. Questiono o ineditismo dessa tecnologia dentro da cena teatral (que é a minha área), mas levando isso para o campo da performance é bastante interessante. O problema, eu acho, é a estrutura. É uma parafernália muito grande para produzir resultados ainda pouco expressivos (talvez ainda pouco explorados, na verdade). Bom, achei interessantíssimo você postar isso. É bom saber o que andam fazendo por aí juntando arte e tecnologia.
    Muitos Beijos

  3. Concordo Miguel. Mas acredito que esta evidencia da máquina, que chamamis de hipermediação, seja resultado somente de um experimento e do registro formal da maquina desenvolvida. No caso de um espetaculo visando uma experiencia mais imersiva, acho que é perfeitamente possível esconder essa estrutura, e botar o espectador com uma visão mais privilegiada, de preferencia mais alta. Agora eu tambem fiquei muito instigada quanto a elaboração de um espetáculo completo.

    • Eu já vi uma filmagem de um espetáculo do Cirque du Soleil que ele usavam uma estrutura parecida. O chão do palco levantava, mexia pra lá e pra cá e ficava até totalmente na vertical e os atores-acrobatas fazendo as cenas, inclusive uma das cenas era tipo uma luta de um exército contra o outro. A movimentação do palco, totalmente na vertical, criava um efeito cinematográfico muito incrível, parecia que estávamos vendo um jogo de xadrez, com os exércitos indo pra lá e pra cá. Muito incrível. Acho que explorar essa estrutura no campo da Dança seria incrível.

      • É claro que dialoga muito com a linguagem cinematográfica quando se usa uma câmera pra obter o efeito visual desejado. A grande jogada seria criar essa “ilusão” dentro do teatro, onde “se vê tudo”. O que acha? Beijos!!

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