Tocando música – Skintimacy


‘Skintimacy’ is a skin-based interface developed for a collaborative musical performance.

Skintimacy é uma interface baseada no toque para gerar performances que relacionam o contato entre corpos com sons. É um projeto desenvolvido no Design Research Lab de Berlin, por Alexander Müller, Jochen Fuchs e Konrad Röpke. O sistema é constituído de um circuito elétrico aberto ligado a duas ou mais pessoas, um Arduino, e um software sintetizador de sons. Quando as pessoas se tocam, o circuito elétrico é fechado, gerando um som. O som é determinado por uma série de parâmetros como intensidade e velocidade do toque, uma sonorização desta intimidade corporal.

A abordagem de um dos sentidos (o tato) se mostra particularmente interessante ao ser relacionada a um outro (a audição). Uma apropriação interessante deste sistema poderia envolver mais de um nível de intimidade como o toque intenso e intencional ou um bruto esbarrão com um estranho. O projeto poderia ser complementado com outros sistemas que auxiliem a percepção de que partes do corpo que estão em contato, uma leitura ainda mais abrangente desta intimidade. Ou ainda diferentes perspectivas culturais que apresentem variações quanto a permissividade do toque em gradações de formalidade social. Podendo um abraço ser cotidiano no Brasil, e ser extremamente raro em outras culturas.

Referência: Daniela Kutschat

Baudi(o) Painting and Stars Sung

Baudi(o) Paintings and Stars Sung are some of Jason’s Levine performances. The artist researches the boundaries between music and technology and in the last years has incremented his performances with interactive video and light. The result is an integration of visuality, body movement and voice.

Baudi(o) Painting e Stars Sung são performances de Jason Levine, artista, músico e programador. Pesquisando a interseção entre música e tecnologia, nos últimos anos, Jason se envolveu também com iluminação e vídeo interativos. O resultado é uma integração entre visualidade, movimentação corporal e voz

Seus sistemas reagem tanto ao som de sua voz, que varia entre beatbox e um canto “gutural”, quanto a sua movimentação. Tenho o mesmo interessa nas artes performativas, teatro, música e dança. Podemos pensar em cenografia interativa que esteja relacionada diretamente as ações do performer ou até do público.

#10.ART Encerramento surpresa – Tania Fraga

Infelizmente Ana Mãe Barbosa não pode comparecer para a palestra de encerramento. Porém tivemos a ilustre presença surpresa de:

Tania Fraga.
A artista vem desenvolvendo pesquisa e produção artística “com arte computacional interativa desde 1987, usando tecnologias computacionais de realidade virtual, computação afetiva e física. Artista e arquiteta, é co-autora do projeto de arquitetura do Instituto de Artes da UnB, doutora em comunicação e semiótica pela PUC/SP, e foi professora do Instituto de Artes da UnB onde atua como pesquisadora associada. Desenvolve a pesquisa de pós-doutoramento senior, ‘Tessituras Numéricas’, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.”

Durante sua fala, Tania demonstra imensa paixão pelo que faz, domínio e envolvimento em todas as esferas de conhecimento que uma produção em arte e tecnologia agregam.

Enigma

Enigma é um objeto robótico cujas respostas aos movimentos do interator acontecem através de mudanças nas manchas luminosas que se movimentam em seu interior. Como realizar as mudanças é um enigma a ser descoberto pelo interator.

Caracolomobile from Tania Fraga on Vimeo.

“Caracolomobile é um organismo artificial construído em titânio que percebe e discrimina três estados emocionais humanos e responde a eles expressando-se com sons e movimentos. Explora possibilidades simbióticas entre humanos e máquinas, utilizando procedimentos robóticos e de computação afetiva.” Esta obra é o assunto do artigo publicado nos anais do #10ART
Tania Fraga e com Suzete Venturelli são as responsáveis pela primeira edição do Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, em 1989.

Suzete Venturelli
Professora, pesquisadora e artista de computação do Instituto de Artes da UnB. Trabalha na área desde 1987 e atualmente coordena o MidiaLab. Dentre as suas pesquisas, destacam-se as análises dos métodos computacionais utilizados para a criação artística nos aspectos da modelagem, animação, interatividade, realidade virtual, imersão em tempo real, assim como de criação de sistemas hipermidiáticos.

Expos no #10.ART a obra geopartitura desenvolvida no , obra que permite a criação coletiva georeferenciada de um concerto multimídia em tempo real. O sistema formado por software e dispositivos móveis permite a apresesentação de um concerto multimídia cuja composição é realizada ao vivo em tempo real, por pessoas conectadas ao sistema pelos seus celulares. A primeira versão exposta utilizava a distância das pessoas conectadas para influenciarem no som, sendo uma música executada a distância, em que cada pessoa representa um nó.

Já a segunda versão, apresentada no #10.ART, adaptava o sistema para uma interface multitoque.

As duas artistas então são responsáveis por esse grande evento que pude acompanhar na última semana e que Lucia Santaella tem toda razão em relembrar o empenho e perseverança de se mantê-lo no Brasil, em que muitos projetos não tem continuidade. Hoje o Encontro Internacional de Arte e Tecnologia já dura uma semana muito intensa em que as comunicações duram o dia inteiro, englobando não somente pesquisas relacionadas especificamente a arte e tecnologia, mas artistas e pesquisadores que se interessam por discutir o estado atual da arte e nossa realidade social cultural imersa nessa tecnologia inevitável. É com imenso prazer que finalizo os posts sobre a edição de 2011 em que tive a excelente oportunidade de conviver não só com os maiores pesquisadores e/ou artistas da área, mas com muitos dos aspirantes e iniciantes a tal contribuição. Fico muito satisfeita mesmo de poder participar deste evento em que se discute teoria, conceito, prática e técnica. Agora vou passar um bom tempo tentando deglutir toda esta informação para, quem sabe, poder contribuir com a minha pesquisa na edição do ano que vem.

Obrigado a todos que acompanharam o blog. Essa minha iniciativa foi pela necessidade de documentação referida tantas vezes ao longo do #10.ART, relembro que o professor Cleomar Rocha também fez o possível para registrá-la em seu twitter. E convido a todos para continuar seguindo o blog, que retorna ao seu tema, unindo referências de obras, instalações, espetáculos e performances que exploram expressividades do movimento corporal. Estou aberta a sugestões. E quem gostou mesmo, pode curtir o blog pelo facebook e receber os posts diretamente em seu mural.

 

#10ART – 15 de Agosto

Mesmo esquema do post sobre 14 de agosto, vou apenas citar brevemente alguns projetos expostos. Devo reafirmar que esta é a minha visão e que não posso descrever todas as comunicações. Novamente relembro que o professor Cleomar Rocha(UFG) também está documentando o evento em seu twitter, inclusive respondendo perguntas ocasionalmente e cobrindo mesas que não pude assistir. Se por acaso alguém souber de mais alguém que esteja contribuindo para esta documentação, por favor adicione links etc. nos comentários. Seria interessante pensarmos em uma rede de documentação.

Átimus de Aníbal Alexandre, Jackson Marinho e Victor Valentim
Caixa Preta que cria sons e imagens a partir do equilíbrio da distancia das pessoas que estão a sua volta.

ÁTIMUS from Jackson Marinho on Vimeo.

EVOtwitter de Francisco de Paula Barreto
Criação de paisagem sonora e visual a partir de “DNA” de tweets. Ainda em emplementação.

Adriana Parada apresentou trabalhos como Resistéia e Cantavisse, porém não encontrei material online. O primeiro trata de uma rede cultural social baseada no mito de resistéia em que a aranha tece a rede. E o segundo, seria transposição da captação sonora de instrumentos antigos inacessíveis na criação de um novo instrumento digital.

Ana Paula Ferreira Poesia digital e espacialidades, desenvolveu um projeto porém não encontrei o link, se por acso encontrar atualizo aqui, é bem interessante

Hudson Bonfim fez uma retrospectiva da inserção da tecnologia no universo musical

Beatriz Pinheiro de Campos discutiu sobre o uso de biografias no processo de contextualização da obra do artista e do papel do crítico na relação com o artista e o fruidor

Claudia Pereira Mattos apresentou o Centro Cultural Celina como um centro cultural de arte e tecnologia em Juiz de Fora na década de 60

Franciele Filipini apresentou reflexões sobre a curadoria em arte contemporânea geradas durante o processo de entrevistas com grandes nomes brasileiros publicado em seu livro. Mais informações em: http://www.virtus.art.br

*** TODOS OS ARTIGOS QUE COMPÕEM OS ANAIS DO #10ART JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS ONLINE

Lenine e as Poéticas Interdisciplinares

Antes de começar uma pequena observação:
Hoje eu vou ter que falar sobre algo que inicialmente poderia fugir do conteúdo normal deste blog mas que é de meu extremo interesse e portanto influente na minha vida pessoal, na minha criação artística e minha pesquisa de mestrado.

Hoje vou falar de Lenine, músico e compositor brasileiro, a quem tive a maravilhosa oportunidade de ouvir durante mais de 2 horas ontem(05/07/2011) em um evento chamado Encontros da Musica Brasileira, organizado por Charles Gavin no Polo de Pensamento Contemporâneo, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, que convida músicos para um bate-papo informal.

Charles Gavin também é músico, ex-integrante da banda Titãs, e faz um projeto de pesquisa, quase que jornalístico sobre a MPB. Também apresenta o programa “O som do vinil” do Canal Brasil.

Achei interessante, porque estou fazendo o mestrado lá na EBA/UFRJ e em vários momentos da noite pude fazer uma ponte com o que discutimos lá na linha de pesquisa. O que mais me instigou foi uma visão do processo criativo dele inserida no contexto da nossa linha: ‘Poéticas Interdisciplinares’.

Para organizar o evento, Charles Gavin, no papel de entrevistador, realiza uma pesquisa sobre o artista e notou em sua pesquisa sobre o Lenine que o artista não tinha muitos videoclipes na sua produção, e achou isso muito curioso porque os videoclipes foram muito importantes na inserção da industria musical nos anos 90. Lenine disse que não se sentia muito a vontade para gravar videoclipes, achava aquilo tudo muito fake, ficar fingindo diante da câmera que estava fazendo musica.

Mas o que foi importante para mim neste tema é que introduziu na conversa a relação da imagem com a música, algo que segundo o próprio é essencial em sua criação artística. Isso foi o que mais me instigou.

“As minhas músicas partem sempre de algo que eu vi. Não me lembro de ter feito alguma canção sem ser imbuído de uma imagem.” Lenine

Em vários casos, aconteceu de ele ter uma imagem que cativava tanto ele, de ele parar e pensar: “Preciso fazer um disco disso aí” e aí ele começa a relatar o processo criativo dele em que normalmente ele parte de uma imagem, como no caso do Olho de Peixe que é um furacão em Jupíter que o diâmetro é 7 vezes o da Terra. A partir da imagem ele começa a criar um banco de ruídos que vão compor a sonoridade do álbum.

Isso me emocionou muito porque essa relação entre a imagem e a música é algo que me motiva desde o início da faculdade e está presente também no meu projeto de mestrado, agora tendo o movimento corporal como ponto de partida. Foi quase uma ironia do destino, porque justo eu que acompanho a trajetória do Lenine e tenho particular interesse nessa relação (inicialmente pesquisando capas de disco, e hoje em dia uma expressão artística integrada na performance), não conhecia esta faceta.

Este processo criativo me interessa muito porque representa um estado da arte em que o pós-modenismo não se limita somente a uma ruptura com a narrativa linear entre as diversas mídias, enquanto produto final artístico; mas que essa rotulação, essa segmentação das diversas produções artísticas não ocorre nem durante o processo criativo. (OK, eu acho que essa interdisciplinaridade devia ocorrer muito antes do que chamamos de pós-modernismo se instaurar, mas não deixa de se inserir e se potencializar numa postura artística atual)

//Essa questão de rotulação me irrita muito porque eu mesma não consigo me inscrever em nenhuma divisão artística. (não) sou designer, não sou atriz, não sou dançarina, não sou cantora, não sou artista plástica, sou artista ponto. Se você quiser me chamar pra fazer qualquer uma dessas coisas, eu vou fazer, vou gostar, vou me expressar, mas o que eu gosto mesmo é o que está ENTRE, é a integração.

Ele ressaltou essa dificuldade dele se inserir nas rádios nacionais por conta desse caráter híbrido de sua música. As rádios de MPB diziam “AH! Esta música é muito Rock”, e as de Rock diziam “Pô, mas isso aí é MPB”, e no final das contas não importa. O que importa é que é bom, e que é uma música genuinamente brasileira.

Uma coisa que me chamou muita atenção, foi justamente esta identificação com tantos pontos do que ele falou, e essa identificação que já ocorria com as músicas dele. Na verdade, a apreciação, a admiração artística é muito intuitiva, e não se tem que justificar porque gostou ou porque é bom (birra com arte conceitual, que você pode gostar intuitivamente também), mas você gosta e pronto! Quando eu tive a oportunidade de ouvir tão de perto (perto mesmo hehe) todo o processo que o levava a produzir o que eu adoro e, além disso, este processo ter tanto a ver com o que me interessa enquanto processo de criação, fico sem palavras… Realmente emocionada. É uma admiração muito profunda mesmo.

Diversas vezes durante a noite Lenine contava sobre algum projeto em que estava envolvido, e que não tinha quem bancasse. Mas ele seguia seu instinto, resolvia fazer a qualquer custo. Essa coragem demonstra muito compromisso com o que acredito ser o seu diferencial. Ele chegou a afirmar, se referindo a sua performance no palco, que criou um público que espera esse nível de entrega, essa paixão que transparece claramente em seus shows. Acredito que essa autenticidade é responsável por ter conseguido o sucesso, apesar de todo o árduo percurso, e conseguir formar um público interessado que se doa à experiência artística tanto quanto ele (e a banda) nos shows.

//Mais uma vez, é esse nível de entrega tanto do ‘artista’ quanto do ‘público’ que procuro explorar em meu projeto: uma experiência de simbiose artística .

Voltando a questão da imagem. Achei interessante que o último disco dele o processo criativo foi diferente (pra quem tiver maior interesse, recomendo o documentário ‘Continuação’), mas mesmo não tendo partido da imagem acredito que a capa reflita bem a sonoridade do disco, que tem algumas faixas bem mais “pesadas” do que os seus trabalhos anteriores (apesar da música magra leve e calma).
Pra finalizar vou botar aqui a música “Martelo Bigorna” e a capa deste último álbum ‘Labiata’ para verem o que acham.

Espero não ter me demorado demais, mas como ele mesmo disse, as vezes nós temos essa necessidade de compartilhar as coisas, e precisamos falar pra alguém. Bom, fica aí o registro de uma noite com um dos artistas mais legítimos do Brasil. 😉

Gestos musicais

Hoje encontrei esse registro de performance que utiliza o gesto corporal para criar/controlar/manipular a música através do kinect. Chris Vik é um músico australiano especializado em Sound Design através de ambientes imersivos. Apesar de não gostar da música em si, fiquei impressionada como a música reflete realmente os movimentos. As mãos são os controladores, mas a relação entre elas e com o tronco são muito importantes. Há ainda um controle acionado pelo pé, algum tipo de pedaleira para controlar a distorção.

Nesse caso, existe toda uma ambientação desenvolvida para o músico criar, se o mesmo ambiente fosse apresentado para um leigo, ele com certeza não saberia usufruir tão bem. O sistema mostra um processo de criação de música através do corpo, e não o corpo reagindo a um som, como em uma dança. Agora, o mais interessante de se explorar é o processo natural da criação de ritmos e danças durante o desenrolar da música, na improvisação que ocorre do corpo ao ouvir sua própria música. O que acontece durante, o que modifica, o processo de percepção gestual musical simultâneo. Aí é interessante a ferramenta que fixa um trecho musical, um gesto e repete em loop, para poder explorar varias sonoridades do corpo, permitindo criar várias texturas.

Neste ponto, este projeto me permite (com ajuda de Cadu Sampaio) estabelecer alguns paralelos.

O instrumento theremin que utiliza sensores de proximidade(seria o kinect da época??), criado na Rússia, em 1920 por Leon Theremin.

Ou o processo de Live Loop que artistas como Zoe Keating e Thom Yorke que utilizam seus instrumentos e/ou microfone ligados a um laptop por uma pedaleira para fazer performances ao vivo se utilizando desta repetição de trechos da música, algo muito similar ao processo de criação de músicas caseiras em programas como GarageBand.


Música e movimento – Superuber

Superuber é uma empresa brasileira liderada pela Liana Brazil e Russ Rive.
Desenvolvem instalações interativas para exposições, eventos, etc.

Na instalação Música e Movimento instalada no Espaço do Conhecimento(MG), relaciona os movimentos do visitante a uma música gerada na hora.

No caso, o visitante ainda tinha a possibilidade de gravar sua música e enviar por email. Infelizmente não consta no site nenhuma informação técnica para entendermos como funciona.

Quanto a interação, acredito que utiliza mais o “posicionamento” do corpo(uma leitura bidimensional do corpo) do que o movimento em si. É óbvio que para ativar os diferentes blocos é necessário movimento corporal, mas esta abordagem do corpo pode favorecer mais um ritmo do que a fluidez do movimento em si. Neste sentido, não consegui compreender qual a reação exata de cada bloco, o que pode ser interessante, mas até certo ponto.
(Importante realçar que pesquisar sobre interatividade através de vídeos na internet é valido, mas a interação pessoal é sempre melhor)
Acho que a instalação é feliz na apresentação de uma interface ao interator que permite compreender qual o procedimento esperado, mas ao mesmo tempo é possibilita uma experiência individual, na medida que cada pessoa cria uma música diferente.

Nesta linha, gosto muito de outra instalação deles, a Areia Musical, minha favorita. Esta eu tive a oportunidade de interagir na exposição individual deles Pixel Park realizada no iai(SP) em 2009.

Como puderam perceber, o desenho criado na areia gera uma música. O interessante desta obra é justamente esta relação entre o desenho, o gesto e o som. O que mais me interessa é essa integração que existe na exploração entre os três sentidos: tato, visão e audição. É uma obra realmente multisensorial.

Nas duas instalações há um desenvolvimento de uma interação intuitiva, que não necessita de instruções verbais. Esta foi uma questão ressaltada pela Liana Brazil, na palestra realizada durante Pixel Park; questão esta que acredito ser de vital importância.