Atelic – composição de movimentos

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Atelic is a videodance that explores the possibilities of time and space deconfiguration through the body image. The video is a composing piece over a physical grid. However, the grid is not  only a visual guide, but is also used for time overlaping, showing several layers of movement. The choreography enhances this visual experience by asking the dancers to continuously move around in the scene.

 

Atelic é uma videodança que abusa das possibilidades de desconfiguração do tempo e do  espaço através da imagem do corpo. O video é baseado no processo de composição de imagens, tendo a trama como grid dos corpos. No entanto, a grid não é utilizada somente como guia visual, mas também serve para sobreposição temporal, exibindo várias camadas do movimento. A coreografia reforça este experimento visual ao incluir amplos translados dos dançarinos na cena.

Atelic from duckeyejey on Vimeo.

É interessante comparar este vídeo com o último post, Striptease. Apesar dos dois usarem uma forma reticulada da imagem, Atelic seria mais enquadrado na video-dança, utilizando um meio físico e a perspectiva da cena para explorar a visualidade do movimento, enquanto Striptease utiliza um recurso de edição de imagens, abordando o corpo como textura e talvez se aproximando mais da categoria de video-arte. Rótulos a parte, os dois projetos são experimentos que utilizam o corpo e a dança sobre a perspectiva de um artista visual e são perfeitos exemplos das poéticas interdisciplinares na arte.

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Striptease: a cor do corpo

striptease2‘Striptease’ is a video art that reveals a body. Striptease by Tony Linkson brings the nudity subject in a very poetic way. Linkson plays with our eyes and fantasies through the rhythm and color in fragmented body composition. The video sustains the body as an object of desire without using obvious shapes and cliche body parts. ‘Striptease’ brings the nudity in a color tension, slowly taking over the video, the skin color.

 

‘Striptease’ é um video que expõe o revelar de um corpo. A constante abordagem da nudez na arte ainda hoje é algo que sempre me faz refletir. Sempre que presencio uma obra de arte atual que utilize nudez, seja fotografia, pintura, performance ou até artes cênicas me questiono sobre a gratuidade daquela exposição do corpo. Sem generalizações, é preciso constatar que a nudez já não é algo tão surpreendente ou tão pouco chocante tanto quanto em outros tempos. Porém, o video Striptease de Tony Linkson nos traz o tema da nudez de uma forma muito poética. Através da composição e fragmentação do corpo, Linkson instiga o olhar e as fantasias diante do ritmo e da cor das imagens. O video sustenta o corpo como objeto de desejo, sem, no entanto, utilizar formas óbvias e lugares clichês. Striptease, traz a nudez e a fantasia em uma tensão de uma cor, que lentamente vai tomando conta do vídeo, a cor da pele.

Striptease (2008) from Tony Linkson on Vimeo.

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Fifth Wall – repensando o palco da dança

Fifth Wall presents a choreography made to be watched exclusively on the iPad. The choreography explores the tablet’s change of orientation and the possibility of combining different compositions and sizes of the four videos that integrate the app.

 
Fifth Wall é um espetáculo de dança em forma de aplicativo de iPad. Na verdade, toda a coreografia foi pensada para ser explorada a partir da orientação do tablet. O dançarino Jonah Bokaer trabalha diferentes pontos de apoio no quadrado formado por laterais, chão e teto. Se possível dizer, a coreografia tem um caráter bidimensional, na medida que se propõe explorar este possível novo formato de palco para espetáculos. Além da orientação o espectador pode brincar com diferentes configurações de tamanho e composição dos quatro vídeos que ocorrem simultaneamente. A apresentação individual do espetáculo também configura uma peculiariedade deste suporte. Será precipitado dizer que este projeto seria um precursor de uma nova categoria de produção em dança? Uma categoria resultado de um desdobramento da vídeo-dança rumo a novos formatos atuais? Software-dança? Dança-aplicativo? Instigante pensar nestas possíveis novas apropriações do corpo e de seu movimento.

O aplicativo é uma iniciativa da 2wice Arts Foundation, uma organização sem fins lucrativos voltada para produção de publicações sobre a interseção entre arte, dança e performance. O projeto faz parte de uma iniciativa de produção de conteúdos específicos para a mídia digital (mobile), que iniciou com o aplicativo sobre a obra do coreógrafo Merce Cunningham

X – Corpos Espelhados

The promotional video created for the event TEDx used mirrored body images to generate dynamic arabesque patterns. Instead of using computer graphics, as would be usual, mirroring is done through a huge prism mirror. The concept was based on the event theme “Ideas Worth Doing”.

O vídeo promocional criado para o evento TEDx utilizou a imagem de corpos espelhados para gerar texturas arabescas dinâmicas.

Difícil dizer qual imagem é mais atraente. O que cativa é a fluidez e ao mesmo tempo as diferentes qualidades de movimento advindas do corpo humano, o que nunca veríamos em um caleidoscópio comum. Um momento particularmente interessante é quando os dançarinos soltam os balões de hélio que desempenham uma trajetória orgânica e evidenciam uma tridimensionalidade até então disfarçada.
 
Neste próximo vídeo podemos ver como foi feita a vinheta. Um enorme prisma de espelhos foi construído para filmagem da coreografia. É isso mesmo, todo o espelhamento de imagens foi feito sem computação gráfica. Nem mesmo a cor do chão é editada digitalmente, as cores de fundo que se alternam são modificadas através de esteiras mecânicas. A complexidade da criação é baseada no tema do evento “Idéias que valem ser feitas” (Ideas worth doing), uma bela representação do contraste LowTech x HighTech.

A grandiosidade desta ferramenta visando um efeito visual, lembra o post sobre Gravity Shift, que cria um enorme cenário mecânico para explorar a percepção da força da gravidade.

Formas: o desempenho espacial do atleta

Forms is a video installation that visually interprets the movement of athletes, considering the invisible forces that act on the space around the body. More info at: memo.tv / forms

 

Forms é um projeto que estuda formas de representação do movimento humano, evitando uma demonstração fiel da trajetória dos membros do corpo. Uma interpretação entre relações de equilíbrio, graça, conflito e poder procurando evidenciar as forças invisíveis que atuam no espaço. Para isso se inspiram em movimentos de atletas que exploram o limite de seu corpo na busca pelo alto desempenho.
O trabalho é resultado da colaboração entre Memo Akten e Quayola.
O vídeo apresenta o processo de desenvolvimento, podemos ver cada uma das formas de representação separadamente, bem como o vídeo original em câmera lenta e a animação resultado da composição da interpretação do movimento. Para compreensão do movimento os artistas utilizaram diferentes comportamentos de partículas e linhas que se integram na leitura espacial do corpo em si, e também no prolongamento de suas ações. O vídeo foi encomendado para a exposição “In The Blink of an Eye” que abriga, entre outros, fotografias de Muybridge, uma das inspirações da obra. A exposição faz parte da agenda cultural em apoio aos jogos Olímpicos de Londres.

O trabalho é tão complexo que necessita ser visto várias vezes para atentar as diferentes camadas do movimento. Abaixo pode ser visto o resultado da composição em mais detalhes, o resultado de esculturas virtuais tridimensionais criadas a partir desta interpretação.

(des)construção corporal de Lucy McRae

  Lucy McRae is essential when dealing with art that uses the body as a support. The ballerina and architect abuses her formation to (un)build body silhouettes. We selected some works that justify why the artist calls herself an “body architect”

Also showing some works from her partnership with Bart Hess.

Há tempos venho pensando em fazer um post sobre o trabalho de Lucy McRae. Lucy é artista australiana que abusa de sua formação em balé e arquitetura para (des)construir a silhueta humana a partir de diversos materiais. Sua obra mais do que renomada é exemplo recorrente quando o assunto é arte e corpo. Por isso, apesar das obras citadas neste post não serem necessariamente recentes, é mais do que digno relembrarmos suas criações. O conjunto da obra traz imagens e vídeos deslumbrantes de esculturas feitas sobre o corpo.

A beleza de seus trabalhos está na combinação das formas fluidas e orgânicas do corpo, seu movimento, sua respiração; com uma textura criada a partir de elementos frios, estáticos, que se acoplam a superfície corporal. É a partir desta fusão que Lucy McRae se considera ‘Arquiteta do Corpo’.

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A sua parceria com Bart Hess evidencia ainda mais a sua relação com a tecnologia, visto que o artista holandês também transita muito na área de animação e vídeo.