Padrões corporais – o corpo em massa de Claudia Rogge

Claudia Rogge é uma artista alemã que trabalha a visualidade do corpo em fotografias. A criação de padronagens irregulares através da multiplicidade de corpos leva nosso olhar a buscar as similaridades e diferenças entre os corpos fotografados. Podemos identificar duas linhas de trabalho em suas fotos, uma em que assume a diferença entre os corpos e cria imagens mais orgânicas em formatos mais diferenciados, mas que são visualmente muito semelhantes seja na cor do cabelo, da pele, da roupa. A segunda seria o corpo como elemento para um padrão, que se repete e se encaixa criando uma estrutura visual de repetição, como em um cartema. Ambos os tipos instigam nosso olhar em busca da compreensão do corpo entre diferença e repetição

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Striptease: a cor do corpo

striptease2‘Striptease’ is a video art that reveals a body. Striptease by Tony Linkson brings the nudity subject in a very poetic way. Linkson plays with our eyes and fantasies through the rhythm and color in fragmented body composition. The video sustains the body as an object of desire without using obvious shapes and cliche body parts. ‘Striptease’ brings the nudity in a color tension, slowly taking over the video, the skin color.

 

‘Striptease’ é um video que expõe o revelar de um corpo. A constante abordagem da nudez na arte ainda hoje é algo que sempre me faz refletir. Sempre que presencio uma obra de arte atual que utilize nudez, seja fotografia, pintura, performance ou até artes cênicas me questiono sobre a gratuidade daquela exposição do corpo. Sem generalizações, é preciso constatar que a nudez já não é algo tão surpreendente ou tão pouco chocante tanto quanto em outros tempos. Porém, o video Striptease de Tony Linkson nos traz o tema da nudez de uma forma muito poética. Através da composição e fragmentação do corpo, Linkson instiga o olhar e as fantasias diante do ritmo e da cor das imagens. O video sustenta o corpo como objeto de desejo, sem, no entanto, utilizar formas óbvias e lugares clichês. Striptease, traz a nudez e a fantasia em uma tensão de uma cor, que lentamente vai tomando conta do vídeo, a cor da pele.

Striptease (2008) from Tony Linkson on Vimeo.

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ENTRE:UM performance em duas temporalidades de um mesmo corpo

Após apresentar minha última instalação ENTRE na Mostra Imagem Experimento, fui provocada por Malu Fragoso a transformá-la em uma performance para a exposição EmMeio#4.0 no Museu Nacional da República de Brasília, na ocasião do 11 Encontro Internacional de Arte e Tecnologia (#11ART). A possibilidade de expor minha relação pessoal com meu trabalho me deixou empolgada, pois não só poderia mostrar um pouco mais do meu processo criativo, mas sobretudo a minha relação com o tipo de sensor que utilizo, o kinect. Essa oportunidade é muito importante para mim, pois minha dissertação trata da sensibilidade artificial e a relação de nosso corpo com ela na experiência artística em instalações interativas. Para esta performance contei com o apoio de meu amado Cadu Sampaio para o desenvolvimento do som.

Para desenvolver a performance separei em seis momentos. Início (1) entro em cena, meu corpo é capturado apenas como imagem, como em um reflexo, o som que se sobressai é o de minha voz, som do meu corpo. Depois meu corpo aparece na forma de dados (2), o som já se tornou digital, sons pontuais assim como minha figura digitalizada. Neste momento procuro me relacionar com este sensor, tentando provocá-lo. Esta etapa reflete todo o meu ano de experimentações com o kinect, meu processo de desenvolver uma instalação em que a primeira pessoa a testar incessantemente sou eu mesma. Neste meio tempo pude perceber as peculiaridades do sensor, aqui procuro não me referir a estas como limitações, mas apenas a este tipo de sensibilidade artificial). Assim procuro movimentos mais rápidos ou que escondam parte de meu corpo, tentando provocar o sensor a “errar” meu corpo, mas ao mesmo tempo buscando sempre seguir o que ele acredita ser meu corpo, um jogo “coreográfico” com a máquina. Assim, saio de cena (3), e fica evidente agora para o público que meu corpo estava sendo capturado e a cena agora possui um corpo presente apenas virtualmente. Em termos sonoros, o som continua o mesmo apenas um pouco mais distante. Quando retorno a cena (4) posso explorar o espaço buscando me relacionar com o meu corpo anterior. Esta relação se apresenta de forma visual e sonora a cada vez que me aproximo do local onde estaria meu corpo anterior.

É aí que meu corpo é dividido (5) como na instalação ENTRE, metade imagem e metade dados, porém desta vez esta divisão não está fixa e acompanha meu corpo. O som permanece o mesmo das conexões, acrescentando um efeito para quando os lados se alternam. Por último, o tempo-presente deixa de ser o único em evidencia e aos poucos, o intervalo entre meu corpo-de-agora e meu corpo-anterior vai preenchendo toda a projeção (6), como se esses corpos agora juntos já tivessem ocupado todo este espaço da performance.

O resultado da performance pode ser visto a seguir:

ENTRE:UM performance from Barbara Castro

 

ENTRE corpos, imagens e dados

This post is about my latest artwork.
BETWEEN is an interactive instalation in which the interactor’s body is splitted as half image, half data captured by Kinect. Both sides of this body alternate according to the orientation of the body, so that the interactor never sees his face. Furthermore, the side that represents the body as data (blue dots), displays a virtual body (yellow dots), along with the representation of the one that is present. This virtual body is a result of the artist’s body experience. When the interactor approaches the place that the virtual body is supposedly occupying a web emerges connecting the two bodies.

The choice of keeping the virtual body only in the form of data and no image was to reinforce the difficulty of identifying with this reflection. Together the two bodies can merge to enhance the expressiveness of body movement, reducing the individuality characterized by a face. The installation still endorse this dichotomy between presence / absence when records the public, turning these temporary experiences digital to ensure the presence of the bodies, even if virtual. The projection of these bodies is done in a frosted glass, the door of the art gallery. Therefore, the experience is designed at the boundary between the gallery interior and exterior, making it possible to watch the performance of both physical and virtual bodies from the two viewpoints. More details can be seen throughout the video below.

Esta semana tive a oportunidade de expor a instalação ENTRE na Mostra Imagem Experimento. A seguir vocês podem ver e compreender um pouco melhor as imagens que postei no convite durante a semana.

A minha pesquisa se iniciou com uma busca pela integração de expressões visuais e sonoras ao movimento humano, o primeiro experimento foi chamado CTRL01, em que o usuário do computador via um desenho se formar na tela de acordo com o posicionamento de seu rosto e sua voz. Ao longo do meu aprendizado de programação em Processing, comecei a estudar as possibilidades de reconhecimento mais complexo do movimento do corpo utilizando o Kinect e a library SimpleOpenNI. Como resultado desta etapa, expus a série de experimentos INTEGRARTE no MAM-Rio durante o Festival de Cultura Digital.Br. Nestes experimentos, já se mostrava uma necessidade de inserção do meu próprio corpo dentro da experiência.
Em ENTRE, a provocação está na divisão do corpo, que se vê refletido metade em imagem, metade em grafismos gerados a partir dos dados capturados pelo kinect. Esta divisão surgiu do contato com o espaço da galeria EBA7, em que foi exposta a instalação dentro da Mostra Imagem Experiento. As duas faces deste corpo se alternam de acordo com a orientação do corpo, de modo que o interator nunca veja seu próprio rosto. Além disso, o lado que representa o corpo em forma de dados, apresenta junto a este corpo presente, um corpo virtual. Este corpo virtual é resultado da digitalização de minha experiência corporal enquanto artista. Quando o interator se aproxima espacialmente do lugar que o corpo virtual estaria ocupando, uma trama aparece conectando os dois corpos. A opção por este corpo virtual existir somente na forma de dados e não de imagem ocorreu para reforçar a dificuldade de identificação com este reflexo. Juntos os dois corpos podem se fundir para reforçar a expressividade do movimento do corpo, reduzindo a individualidade caracterizada pelo rosto. Esta instalação busca um conceito que estou definindo ao longo de minha pesquisa de mestrado como um intervalo corpóreo, resultado da relação rítmica e espacial entre corpos mediados pela instalação.
A instalação ainda endossa esta dicotomia entre presença/ausência quando registra o público, digitalizando estas experiências temporárias para garantir a presença, ainda que virtual dos corpos. A projeção destes corpos é feita em um vidro jateado, na porta da galeria. Portanto, o intervalo é projetado no limite entre o espaço interior e exterior a galeria, sendo possível se assistir o desempenho tanto dos corpos físicos quanto virtuais pelos dois pontos de vista.

Mais imagens no meu portfolio.

João Penoni – um corpo de luz

João Penoni is a brazilian artist that uses his acrobatic skills to visually explore space while revealing his body movement with light. This theme is explored in photography, video and performance.

 

João Penoni, é brasileiro com base na formação complementar entre design e arte, acrescentando aí sua prática em acrobacia aérea. Como resultado destas três áreas seus trabalhos tratam de uma exploração corporal do espaço, que se revela graficamente através do uso de luz.

Suas obras Insone e Volt exploravam fotografia e vídeo para animar os light-painting realizados pelo próprio artista sobre seu corpo.

Já em Lumen e Latente o artista continuar a utilizar a luz para evidenciar a anatomia de seu corpo e seu movimento. Apesar de saírem do nicho do vídeo, a intenção de se explorar visualmente o corpo e o espaço que percorre e o circula prevalecem em suas performances.

Suas obras me lembraram a série de fotografias de Brice Bischoff que apresentam massas de luz, como indício de um corpo efêmero.

Para quem se interessa por essa abordagem do corpo com luz, tem um post antigo aqui do blog com dançarinos que acoplam leds no corpo, como na performance Lumen.

Obrigada pela dica sobre o trabalho do João, Amador Perez!

(des)construção corporal de Lucy McRae

  Lucy McRae is essential when dealing with art that uses the body as a support. The ballerina and architect abuses her formation to (un)build body silhouettes. We selected some works that justify why the artist calls herself an “body architect”

Also showing some works from her partnership with Bart Hess.

Há tempos venho pensando em fazer um post sobre o trabalho de Lucy McRae. Lucy é artista australiana que abusa de sua formação em balé e arquitetura para (des)construir a silhueta humana a partir de diversos materiais. Sua obra mais do que renomada é exemplo recorrente quando o assunto é arte e corpo. Por isso, apesar das obras citadas neste post não serem necessariamente recentes, é mais do que digno relembrarmos suas criações. O conjunto da obra traz imagens e vídeos deslumbrantes de esculturas feitas sobre o corpo.

A beleza de seus trabalhos está na combinação das formas fluidas e orgânicas do corpo, seu movimento, sua respiração; com uma textura criada a partir de elementos frios, estáticos, que se acoplam a superfície corporal. É a partir desta fusão que Lucy McRae se considera ‘Arquiteta do Corpo’.

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A sua parceria com Bart Hess evidencia ainda mais a sua relação com a tecnologia, visto que o artista holandês também transita muito na área de animação e vídeo.

INTEGRARTE no Festival Cultura Digital.Br

 
No dia 2 de dezembro tivemos a oportunidade de expor os experimentos interativos no Festival Cultura Digital.Br no MAM-RJ. Foi uma excelente oportunidade de entrar em contato com um público interessado de uma maneira um pouco mais informal. Para o Festival, desenvolvemos 4 experimentos distintos. Cada um deles interpretava os movimentos do interator em formas visuais e sonoras, explorando diferentes relações corporais. Os experimentos foram desenvolvidos utilizando o Microsoft Kinect, já citado aqui no blog em diversos posts. Para a programação utilizamos o Processing junto com o Simple OpenNI para acessar os dados do kinect. Os dados do corpo do interator eram utilizados para criar os desenhos dentro do Processing. Utilizamos também a biblioteca rwmidi para converter os dados do kinect para dados midi a serem enviados para o Ableton Live em que são controlados os sons interativos. Foi uma excelente experiência que já está se desdobrando na nova fase do projeto. Mais notícias em breve, aguarde!