Corpo e espaço: geometria em Schlemmer e Kandinsky

Esta semana estive revendo algumas referências fundamentais para a apropriação visual do corpo, o teatro da Bauhaus. Estou no processo de desenvolver a performance ENTRE:UM baseada na instalação ENTRE, que vou apresentar durante a abertura da exposição #EmMeio4 em Brasília durante o o #11ART Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, no dia 2 de outubro.

Schlemmer e Kandinsky foram fundamentais no processo de pensar o corpo e a visualidade de seu movimento no espaço. Através de elementos geométricos estudaram o corpo em desenhos e figurinos que foram aplicados em montagens completas como o Ballet Triádico. O corpo, seu perfil e sua volumetria foram reformulados para evidenciar os trajetos e prolongamentos dos movimentos e sua espacialidade.

“Porquê o ballet triádico? Porque o três é um número eminentemente dominante, no qual o eu unitário e o seu oposto dualista são superados, começando então o colectivo. Depois dele vem o cinco, depois o sete, e assim por diante. O ballet deve ser entendido como uma dança da tríade, a troca do um, com o dois, com o três. Uma bailarina e dois bailarinos: doze danças e dezoito trajes. Mais além, a tríade é: forma, cor, espaço; as três dimensões do espaço: altura, profundidade e largura. As formas fundamentais: esfera, cubo e pirâmide; as cores fundamentais: vermelho, azul e amarelo. A tríade de dança, traje e música.”

(diário de Schlemmer, 5 de julho de 1926)

KANDINSKY, 1926. Curvas sobre la danza de Palucca.

KANDISNKY, 1928. Models of Figures for Scene XVI: Kiev.

SCHLEMMER. Ballet Triadico

Apresentação do Ballet Triádico de Oskar Schlemmer. from Senac São Paulo on Vimeo.

Este vídeo é resultado de uma reconstituição dos figurinos e do Ballet Triadico, realizado no Senac São Paulo em 2010.

Algumas imagens deste post foram retiradas do livro: Painters in the Theater of the European Avant-Garde.

Referências nos blogs: Tipografos e Post.Dance

Anúncios

Vestígios de um movimento


 
 
In this photo essay, Bill Wadman pictures the beauty of a body in motion. The pictures register the density of a gesture, capturing the body expressiveness through long exposure photos.

  
  

Neste ensaio fotográfico, Bill Wadman retrata a beleza do movimento de um corpo volátil. A densidade de um gesto é retratada captando a expressividade corporal através de fotos de longa exposição. As fotos mostram o potencial do dançarino que se cria através das reverberações de seu corpo através do tempo. A multiplicação e a deformação da imagem de um só corpo se integram em formas orgânicas do efêmero. As imagens apresentam a possibilidade de liberdade de uma corporeidade fixa. O corpo deixa de existir enquanto forma, limite físico e passa a ser registrado em seu devir.

As imagens foram compiladas em um livro.


Via @VisualNews

Baudi(o) Painting and Stars Sung

Baudi(o) Paintings and Stars Sung are some of Jason’s Levine performances. The artist researches the boundaries between music and technology and in the last years has incremented his performances with interactive video and light. The result is an integration of visuality, body movement and voice.

Baudi(o) Painting e Stars Sung são performances de Jason Levine, artista, músico e programador. Pesquisando a interseção entre música e tecnologia, nos últimos anos, Jason se envolveu também com iluminação e vídeo interativos. O resultado é uma integração entre visualidade, movimentação corporal e voz

Seus sistemas reagem tanto ao som de sua voz, que varia entre beatbox e um canto “gutural”, quanto a sua movimentação. Tenho o mesmo interessa nas artes performativas, teatro, música e dança. Podemos pensar em cenografia interativa que esteja relacionada diretamente as ações do performer ou até do público.

Instrument – o corpo e o espaço

Instrument é um curta sobre as forças invisíveis do espaço que atuam sobre o corpo. Como é esta relação do corpo com o espaço que o circunda? Nossos corpos são instrumentos em nossos cotidianos, será que nós os controlamos? Alguns movimentos não são conscientes e configuram apenas automação rotineira.

E mesmo na dança em que são desenvolvidos movimentos “conscientes”, estas forças externas não se dissipam, são inerentes ao nosso universo e a própria noção de vida. Como podemos nos posicionar neste jogo?

O trabalho é resultado das forças do diretor Ruben Van Leer, dançarino e coreógrafo Lukas Timulak, do músico Dirk Haubric e dos animadores Roy Gerritsen, David Zaagsma, Bas klompmake. O curta só será lançado em dezembro, mas o making off tá aqui:

 

CTRL+01 – Movimentando com voz e cor

É chegada a hora de publicar meu primeiro experimento! Este experimento foi feito baseado em uma observação teórica, que em breve deve se apresentar como um artigo, ou pelo menos um texto que está em fase de desenvolvimento.  

O processo é o seguinte: o interator se movimenta na frente da tela e o trajeto de seu rosto vai sendo desenhado. O som ambiente, seja a voz ou qualquer ruido influencia neste desenho, aumentando os circulos coloridos e diminuindo o branco. Ou seja, o interator desenha com seu corpo e voz.

O experimento é um sketch de Processing que usa o detector de faces da librarie OpenCV para trackear o movimento do interator diante da tela. Quando uma face é detectada (e pode ser mais de uma ao mesmo tempo) o sketch cria um desenho  estipulado por código. Porém, este desenho é sensível ao som detectado pelo microfone através da librarie Minim.

Este processo de remediação das mídias anteriores foi notado por Marshall Mcluhan: “O conteúdo de uma mídia é sempre uma mídia anterior”. Isto pode ser observado em um nível básico da informática em que sistemas operacionais são baseados em objetos de escritório: a pasta, a lupa, o arquivo, a lixeira; quanto em softwares de criação e manipulação de imagens, e portanto da arte digital, em que as ferramentas são o pincel, o lápis, a borracha, etc, e até mesmo em seus acessórios como as mesas digitalizadoras(tablets) que utilizam canetas ‘digitais’. “A mídia digital quer se apagar para que o usuário permaneça na mesma relação com o conteúdo como se estivesse utilizando a mídia original.” (BOLTER & GRUSIN). Desta forma, desenvolvi uma forma de criação de imagens através do computador que não está relacionada a mídias analógicas, mas a um conceito de “corpo como mídia viva”, desenvolvido por Hans Belting. Fica aí uma dica do artigo que vem por aí…

Kinect Graffiti – Jean Christophe Naour

Jean Christophe Naour é designer francês com vasta experiência em desenvolvimento de peças interativas. Seu aplicativo mais recente é o Kinect Graffiti que desenvolve ilustrações em 3D.

O diferencial desta ferramenta para as outras desenvolvidadas de “Grafite Virtual” é justamente a profundidade disponibilizada pelo Kinect, que permite esta tridimensionalidade.

O que me chamou atenção neste projeto foi o desenvolvimento visual, que está bem mais desenvolvido do que a maioria dos trabalhos que eu vejo em arte e tecnologia. Além, de já estar bem avançado na captação do fluxo e da aceleração do movimento, gerando visualizações fluidas.

É legal ver também o vídeo de teste utilizando Processing e mouse, tem vários tipos de “brushes”.