Luz na roupa – figurinos de projeção mapeada

This post is about concerts and plays that uses clothes as a support for projection mapping, a new medium for costume design.

vestidos projection mapping

O carnaval está chegando ao fim e com ele todas as nossas mais loucas fantasias. Durante esses dias houve também uma grande festa da música, mas nos EUA, o Grammy Awards. Este ano o grande reboliço foi o vestido de Carrie Underwood que foi utilizado como tela para uma projeção mapeada enquanto a cantora fazia sua performance. Durante a música “Blown Away” o vestido se transfigurava entre borboletas, rosas e outras imagens. A idéia de usar o vestido da cantora como suporte para projeção foi utilizada também aqui no Brasil, pela cantora Marisa Monte no show “Verdade uma ilusão”, em 2012 (ainda em turnê). Porém, apesar de não apresentar imagens tão detalhadas, as partículas seguiam o movimento da cantora devido ao uso do kinect e além disso reagiam a voz da cantora, como contou Batman Zavareze, designer responsável pela Direção de Arte. Abaixo vocês podem conferir o show das duas cantoras (caso não seja fã de Underwood é só pular para o ponto 3:00) Para saber mais sobre a tecnologia do show de Marisa Monte assista ao programa “Ciência e Tecnologia” realizado pela GloboNews aqui.

Cada performance se destaca por um ponto, enquanto Marisa Monte tem movimentos mais livres no palco, Underwood tem imagens mais detalhadas. Ambas as apresentações utilizam o vestido de uma cantora como suporte, e no caso da americana ainda há uma mistura com a cenografia em alguns momentos. Mas e se esta tecnologia fosse aplicada a uma peça teatral com vários atores e cenário bem mais complexo? Em 2002, 10 anos antes dos dois shows citados até agora, o studio alemão ART+COM desenvolveu cenografia e figurinos para uma ópera em Berlim utilizando tecnologia similar (luz infra-vermelha para criar a máscara). Porém, não só o figurino era criado com projeção, mas toda a cenografia que mudava de acordo com a movimentação do protagonista no palco.

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Medial Stage and Costume from ART+COM on Vimeo.

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Bodyscapes – 1minute69

1minute69 é um coletivo de artistas franceses que desenvolvem processos colaborativos em projetos de imersão e interação. A maioria dos seus trabalhos envolvem mapeamento de projeção. Entre seus projetos está a série chamada Bodyscapes utiliza o corpo como suporte. O coletivo apresentou a performance em Roma, no último mês de maio.

Para desenvolver, utilizam processo de mapeamento atrelado ao de motion tracking. O interessante de observar é como os padrões se comportam no volume orgânico do corpo, principalmente quando a projeção não se limita ao corpo e esta percepção se dá através desse volume em contraste com o fundo plano.

Video Dança com projeção

Durante minhas pesquisas procuro referências em que a tecnologia esteja integrada na linguagem da obra, não utilizada de forma gratuita.

Apresento aqui duas referências que utilizam o vídeo projetado e mapeado conforme coreografia. Desta forma, a animação depende do corpo e vice-versa.
Acredito que podem ser consideradas peças de vídeo-dança, pois o resultado no vídeo é similar ao resultado ao vivo. Neste sentido, o que assistimos pela internet é igual ao visto pelo espectador que se senta no centro da platéia. Isto não impossibilita que sejam executadas ao vivo, somente não acrescentam uma possibilidade de interação.

O primeiro é o The Concept (of Here and Now) de Klaus Obermaier (e equipe).


O que me interessa nessa obra é a relação da projeção com o corpo. A dança quase que não é evidenciada, mas a forma do corpo, da pose e da silhueta.
A obra explora a fragmentação do tempo junto com a ambiguidade da presença e ausência. E trabalha a dança, a projeção e a música em completa integração.

O segundo é Arch of Neo de Petri Ruikka da Woland.


Esta obra também explora a presença e ausência, mas com um foco maior movimento do corpo e no corpo como suporte para projeção.
Não explora o espaço enquanto suporte, apenas como ambiente para mobilidade do corpo. Acredito que esta seja efetivamente, uma peça de video-dança, ao que me parece há uma pós-produção no vídeo exibido.

Enquanto utilização das tecnologias, ambas as peças poderiam ser feitas na tentativa e erro para mapeamento da projeção segundo a coreografia, porém a utilização de sensores de movimento tornaria este processo particularmente mais fácil. Principalmente na obra de Klaus Obermaier, em que o corpo é mais delimitado enquanto suporte. Minha intuição diz que foram utilizados sensores nesta obra, inclusive que havia projeção frontal e por trás, não necessariamente com vídeo, talvez apenas a utilização de holofotes tenha sido necessária.
Procurei entrar em contato com os artistas para saber mais detalhes do processo criativo, mas ainda não obtive resposta.