Experimentando o seu corpo – sobre a arte sensorial e os wearables

This post relates the work of Lygia Clark, Brazilian artist, pioneer in the art of participation, to some current works of Didier Faustino and other recent media art category works, known as the wearables.

É quase impossível para artistas brasileiros ou estrangeiros que trabalhem com participação do público e/ou obras interativas evitarem de estudar pelo menos um pouco a obra de Lygia Clark. Ao menos o meu fascínio pela experiência artística começou com ela, ao entrar na instalação “A Casa é o Corpo”(1968) no alto dos meus 10 anos de idade durante a sua retrospectiva no Paço Imperial aqui do Rio em 1998. A sensação de entrar nesta instalação é a primeira lembrança que tenho de contato com a arte. Não que eu não tenha ido a diversas exposições antes disso (a minha tia trabalhou no MAC de Niterói boa parte de minha infância e eu vivia a desenhar naquelas rampas), mas de alguma forma aquela proposta me marcou.
Lygia Clark se inscreveu na história da arte insistindo que as pessoas deviam entrar em contato com o próprio corpo e ao longo de sua carreira traçou uma trajetória de objetos sensoriais, relacionais até a experiência do self (para mais informações procurem o catálogo da exposição citada acima). E porque eu resolvi falar dessa artista tão cara somente agora, após quase dois anos de blog? Bom, eu encontrei pela internet a peça “DoppelGanger” de Didier Faustino e não pude evitar de fazer a relação. Vejam com seus próprios olhos.

Didier Faustino, Doppelganger (2011)

Didier Faustino, Doppelganger (2011)

Didier Faustino, Doppelganger (2011)

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Didier Faustino, “Instrument for Blank Architecture” (2010)

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Lygia Clark, “Diálogos: Óculos”(1968)

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Lygia Clark, Máscaras Sensoriais (1967)

Didier Faustino, artista franco-português, trata do corpo e da relação interpessoal sem excluir sua relação com o ambiente. O artista, que também é arquiteto, problematiza a esfera relacional do homem através de objetos e instalações. É interessante relembrar que a arte de participação desenvolvida por Lygia Clark e também por Hélio Oiticica continha estas três faces, os objetos, as instalações e as propostas que algumas vezes tangenciam o conceito de performance. Nas três ocasiões, o objetivo final é ativar o corpo para uma experiência artística tanto na sua percepção quanto em sua plasticidade.

Outra linha de desenvolvimento da arte contemporânea que muitas vezes traz a influência dos trabalhos dos dois artistas, mas já inserido dentro do contexto de arte e tecnologia é o wearable. Esta categoria surge com a união da computação de interfaces físicas com a tecnologia têxtil. Acredito que de modo geral o uso de tecidos diminui a aparente fragilidade de muitas obras tecnológicas que envolvem componentes eletrônicos, permitindo um envolvimento do público mais espontâneo. Neste blog, já relacionamos um trabalho de wearable com os parangolés de Hélio Oiticica neste post. Hoje trazemos um trabalho da série “Cognitive Experiences” de Francesca Perona, que cria uma interface vestível, como a parte posterior de uma blusa, para os participantes tocarem seu corpo em uma interação sonora.

crafting human perception - francesca perona

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ENTRE corpos, imagens e dados

This post is about my latest artwork.
BETWEEN is an interactive instalation in which the interactor’s body is splitted as half image, half data captured by Kinect. Both sides of this body alternate according to the orientation of the body, so that the interactor never sees his face. Furthermore, the side that represents the body as data (blue dots), displays a virtual body (yellow dots), along with the representation of the one that is present. This virtual body is a result of the artist’s body experience. When the interactor approaches the place that the virtual body is supposedly occupying a web emerges connecting the two bodies.

The choice of keeping the virtual body only in the form of data and no image was to reinforce the difficulty of identifying with this reflection. Together the two bodies can merge to enhance the expressiveness of body movement, reducing the individuality characterized by a face. The installation still endorse this dichotomy between presence / absence when records the public, turning these temporary experiences digital to ensure the presence of the bodies, even if virtual. The projection of these bodies is done in a frosted glass, the door of the art gallery. Therefore, the experience is designed at the boundary between the gallery interior and exterior, making it possible to watch the performance of both physical and virtual bodies from the two viewpoints. More details can be seen throughout the video below.

Esta semana tive a oportunidade de expor a instalação ENTRE na Mostra Imagem Experimento. A seguir vocês podem ver e compreender um pouco melhor as imagens que postei no convite durante a semana.

A minha pesquisa se iniciou com uma busca pela integração de expressões visuais e sonoras ao movimento humano, o primeiro experimento foi chamado CTRL01, em que o usuário do computador via um desenho se formar na tela de acordo com o posicionamento de seu rosto e sua voz. Ao longo do meu aprendizado de programação em Processing, comecei a estudar as possibilidades de reconhecimento mais complexo do movimento do corpo utilizando o Kinect e a library SimpleOpenNI. Como resultado desta etapa, expus a série de experimentos INTEGRARTE no MAM-Rio durante o Festival de Cultura Digital.Br. Nestes experimentos, já se mostrava uma necessidade de inserção do meu próprio corpo dentro da experiência.
Em ENTRE, a provocação está na divisão do corpo, que se vê refletido metade em imagem, metade em grafismos gerados a partir dos dados capturados pelo kinect. Esta divisão surgiu do contato com o espaço da galeria EBA7, em que foi exposta a instalação dentro da Mostra Imagem Experiento. As duas faces deste corpo se alternam de acordo com a orientação do corpo, de modo que o interator nunca veja seu próprio rosto. Além disso, o lado que representa o corpo em forma de dados, apresenta junto a este corpo presente, um corpo virtual. Este corpo virtual é resultado da digitalização de minha experiência corporal enquanto artista. Quando o interator se aproxima espacialmente do lugar que o corpo virtual estaria ocupando, uma trama aparece conectando os dois corpos. A opção por este corpo virtual existir somente na forma de dados e não de imagem ocorreu para reforçar a dificuldade de identificação com este reflexo. Juntos os dois corpos podem se fundir para reforçar a expressividade do movimento do corpo, reduzindo a individualidade caracterizada pelo rosto. Esta instalação busca um conceito que estou definindo ao longo de minha pesquisa de mestrado como um intervalo corpóreo, resultado da relação rítmica e espacial entre corpos mediados pela instalação.
A instalação ainda endossa esta dicotomia entre presença/ausência quando registra o público, digitalizando estas experiências temporárias para garantir a presença, ainda que virtual dos corpos. A projeção destes corpos é feita em um vidro jateado, na porta da galeria. Portanto, o intervalo é projetado no limite entre o espaço interior e exterior a galeria, sendo possível se assistir o desempenho tanto dos corpos físicos quanto virtuais pelos dois pontos de vista.

Mais imagens no meu portfolio.

ENTRE na Mostra Imagem-Experimento

This week I will be taking part in the IMAGEM-EXPERIMENTO exhibition. BETWEEN explores the opposition presence-absence, correlating the interactor’s body with an absent body that integrates the installation virtually as data.

Esta semana estarei participando da mostra IMAGEM-EXPERIMENTO com mais uma etapa do desenvolvimento de minha pesquisa. ENTRE explora a oposição presença-ausência, relacionando o movimento do corpo do interator com um corpo ausente que integra a instalação virtualmente a partir de dados previamente capturados.

Galeria EBA7 – Cidade Universitária (Fundão) – Prédio da Reitoria – 7o. Andar

Quarta-feira – 29 de agosto – De 16:30 às 18h

Quinta-feira – 30 de agosto – de 9h as 17h

A exposição integra o 7o. Simpósio de Arte Contemporânea, uma parceria entre a UFSM e a UFRJ, por isso o Simpósio contará com palestras em Santa Maria e no Rio de Janeiro. Os dois campus estarão conectados via videoconferência. Segue embaixo a programação.

INTEGRARTE no Festival Cultura Digital.Br

 
No dia 2 de dezembro tivemos a oportunidade de expor os experimentos interativos no Festival Cultura Digital.Br no MAM-RJ. Foi uma excelente oportunidade de entrar em contato com um público interessado de uma maneira um pouco mais informal. Para o Festival, desenvolvemos 4 experimentos distintos. Cada um deles interpretava os movimentos do interator em formas visuais e sonoras, explorando diferentes relações corporais. Os experimentos foram desenvolvidos utilizando o Microsoft Kinect, já citado aqui no blog em diversos posts. Para a programação utilizamos o Processing junto com o Simple OpenNI para acessar os dados do kinect. Os dados do corpo do interator eram utilizados para criar os desenhos dentro do Processing. Utilizamos também a biblioteca rwmidi para converter os dados do kinect para dados midi a serem enviados para o Ableton Live em que são controlados os sons interativos. Foi uma excelente experiência que já está se desdobrando na nova fase do projeto. Mais notícias em breve, aguarde!

XYZT Exposition

XYZT is an exhibition of Adrien Mondot and Claire B. Several installations were designed as a reinterpretation of the experiences of contact with nature, in a digital world through space (XYZ) and time (T). An imaginary territory is created from the revisited nature through points and types.

XYZT é uma exposição que cria uma série de instalações a partir de dispositivos desenvolvidos para os espetáculos de Adrien Mondot. A exposição, que tmabém conta com Claire B na concepção, é uma releitura de experiências do mundo físico possibilitado através do contato com a natureza, como caminhar na grama ou colocar as mãos na água, através de um mundo digital através do espaço(XYZ) e do tempo(T). A natureza revisitada cria um território imaginário a partir do ponto e do tipo.

As paisagens abstratas são deslumbrantes, mais do que uma série de experimentos a exposição nos traz um conjunto de obras intuitivas que instigam o interator, despertando seu apetite, curiosidade e o prazer no encontro entre arte e tecnologia. Adoraria poder ver de perto.

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