Abacateiro acataremos o teu ato

“Abacateiro acataremos o teu ato” assim inicia a música “Refazenda” de Gilberto Gil, mote para a performance que realizei durante a 4a. edição do Hiperorgânicos, um Laboratório Aberto de Pesquisa em Arte, Hibridação e Bio-Telemática.

Diante do tema “Ressonâncias” do evento deste ano, a performance surgiu da conexão entre aspectos de meu cotidiano que relacionassem a música, a planta e a minha pesquisa sobre a relação entre sistemas sensoriais artificias e o corpo humano, assim como a minha prática em visualização de dados. Desta forma, a música Refazenda foi escolhida por uma paixão antiga entre o canto e a música popular brasileira, mas também pela sua natural conexão com os temas do evento Hiperorgânicos. Além do verso inicial da canção, o jogo entre as expressões “renda”, “refazenda”, “refazendo tudo” na estrofe final me aludiu a noção de rede, também relacionada ao universo botânico pelo famoso conceito de “Rizoma” de Gilles Deleuze.

No entanto, Refazenda não foi escolhida somente por seus versos, mas precisamente por seu fruto, o abacateiro. Coincidência ou não, tenho o privilégio de morar em um local envolto de natureza em que os abacates se manifestam até a mim através de um processo natural, o deliciar de meus cachorros. Pode parecer trivial, mas a muda de abacateiro para quem cantei durante a performance, foi germinada a partir de uma semente que apareceu em minha varanda, trazida por meu cão Tião. O processo da performance começou meses antes da apresentação no evento, ao me relacionar diariamente com aquela planta.

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Para a apresentação, adaptei uma visualização que havia desenvolvido para o experimento “Corpo Homem, Corpo Planta”, colaboração com Guto Nóbrega. Na performance, utilizei a imagem obtida por uma câmera 3D para gerar um sistema de partículas que desenhavam eu e o Abacateiro. As partículas seguiam o contorno de nossas silhuetas e seus tamanhos seguiam os dados obtidos (condutividade, luz e umidade) em tempo real, já seu movimento era influenciado por minha voz. Após a primeira etapa, me direcionei para o lado externo ao evento, o famoso “bosque”, e aí sim plantei uma outra semente encontrada já germinando no solo de minha casa.

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Esta performance surgiu de uma visão despretenciosa de meus hábitos cotidianos: brincar com o cachorro, molhar as plantas, cantar Gil, etc. e reforça a possibilidade de experiência estética em nosso dia-a-dia. Mais do que um espetáculo, acredito que a performance relembre a beleza dos processos da natureza e da relação entre seres vivos. Gostaria de agradecer à Guto Nóbrega e Malu Fragoso por promover este evento incrível em que artistas podem colaborar, experimentar e se relacionar de forma tão espontânea e sincera. Agradeço também a todos os participantes do Hiperorgânicos por uma semana emocionante e inesquecível.

Ecologias Hiperorgânicas no VIVO ARTE.MOV

  I was invited to join the NANO-UFRJ team by Guto Nóbrega to collaborate in the ‘Ecologia Hiperogânicas’ project that will be exhibited in VIVO ARTE.MOV. My role was to develop a visualization of the public approximation to the robot that is projected inside it’s belly. Testing video down below.

 

O artista-pesquisador Guto Nóbrega me convidou para participar de um projeto do Núcleo de Arte e Novos Organismos (NANO-UFRJ) que vai ser exposto esta semana no evento VIVO ARTE.MOV no Parque das Ruínas em Santa Tereza. Ele foi convidado para dar uma palestra na quinta as 19:30 e de quebra vai expor o robô que desenvolveu para a performance Frágil que foi apresentada no ano passado no Desafios de Cultura em Rede. Na ocasião, o robô projetava imagens da performance; para o novo evento Guto me convidou para desenvolver uma visualização da aproximação dos interatores, visto que não teria a performance. Além disso, o desenvolvimento contou com a sonorização da mexicana Leslie Garcia e com a programação de Marlus Araujo, fotografado por Caio Chacal.

Mais informações sobre o processo de criação no site do Nano. Abaixo um registro dos testes. Mais imagens aqui.