#10ART – Dia 1 (10 de agosto de 2011)

Começou hoje a #10.ART Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Arte da UnB. Nos próximos dias estarei postando aqui pequenos resumos das palestras que considerei mais interessantes. Não tenho pretensão de fazer uma cobertura completa, até porque são quase 10h diárias de evento durante 1 semana inteira. A programação completa do evento pode ser encontrada aqui!

Oliver grau

texto completo aqui

Teórico alemão fez uma palestra sobre a importância de novas estratégias de documentação de arte e mídia. A arte e mídia tem diversas dificuldades a enfrentar. A própria efemeridades das formas de armazenamento já é um obstáculo natural para a manutenção das formas originais de exibição. O fato de serem processuais, no sentido que exigem especificações para serem montadas nos diferentes lugares exige uma flexibilidade na execução para os diferentes locais de exibição, que muitas vezes necessitam de adaptação. Apesar de já existirem vários festivais e congressos bem frequentados ainda não existe uma iniciativa de aquisição e manutenção por parte dos museus, é uma competição desleal com a arte tradicional.
Em 2005, foi realizada a primeira conferência da série MediaArtHistories, iniciativa que teve fundamental importância para este campo emergente que é a ‘História da Arte e Mídia’ e que possui documentação em publicação de livros e online. Outra iniciativa importante são portais online para criação de acervos de arte e mídia. O Database of Virtual Art é um deles que está ativo, Grau ressalta a dificuldade de se manter tais tipos de site e afirma que diversas iniciativas foram interrompidas ou por falta de investimento ou por falta de pesquisadores responsáveis, causando desaparecimento e perda não só de documentação mas muitas vezes da própria obra. Outros sites citados que ainda permanecem online são o Rhizome e o MediaKunstNet.

É necessário uma comunidade seja pró-ativa e dedicação a longo prazo para que se amplie as formas de documentação formal que devem incluir registros fotográficos, vídeos, códigos, artigos etc. para que se crie uma estratégia sustentável. Além disso, o alemão ainda ressalta a importância não somente das conferências, festivais e da produção teórico-prática mas da formulação de um currículo para os novos professores. Acho que a palestra demostrou a urgência em se definir novas estratégias que são necessárias e fundamentais para a Arte e Tecnologia como campo artístico teórico-prático.

Anna Barros

texto completo aqui

Anna iniciou sua carreira artística na dança de improvisação de Rudolf Laban, no domínio do movimento humano e de improvisação. Hoje, apresentou seu trabalho “Tecendo o Tempo ou Sendo Tecida pelo Espaço” que consiste em uma instalação que possui dois planos. O chão coberto por um tapete, em que as pessoas devem deitar e rolar, ativando duas projeções sobre elas e a parede, que possui outra projeção. Anna desenvolve pesquisa com a percepção como integração sensorial, em que os sentidos de sobrepõem e não são exclusivos. Discursa ainda sobre a categorização dos sentidos que normalmente são separados entre primários e secundários, sendo os primários a visão e a audição. Finalizou a palestra com uma bela frase de Jung: “O processo criativo o intelecto pode descrever, mas só a experiência vivida pode entender”

Weaving Time or Being Weaved by Space, Tecendo o Tempo PartII from ANNA BARROS on Vimeo.

Neuroestética

Este tema foi discutido nas palestras de Milton Sogabe, Fernando Fogliano, Cleo Alberto Semele, Suzete Venturelli e Miguel Gally, portanto vou tentar integrá-las em um só texto, fazendo um mix das palavras dos palestrantes. Só aviso que é um tema muito complexo e vou tentar explicar o que compreendi esperando não cometer nenhum equívoco.

A neuroestética pesquisa quais ondas cerebrais se ativam na experiência estética do belo, portanto uma resposta química, um correlato neural.(GALLY) Não está interessada na arte em si mas no processo cerebral do vivenciar a arte. Qual o sistema do cérebro para sentir a beleza?

Há uma diferenciação entre a teoria da neurociência e da genética. Esta última consiste em uma visão sistêmica em que o artista é influenciado pelos elementos que entra em contato. Estes elementos formam um mapa mental em que a produção artística é um resultado deste mapa que está em constate transformação e por isso nunca acaba. A arte tecnológica portanto reflete este aspecto de obra inacabada pois permite a constante atualização e criação de novas versões a partir de pequenas alterações.(SOGABE) A arte tecnológica além de ser inacabada é aberta a interferência do publico, que permite não só a interpretação de acordo com cada mapa mental mas a intervenção, reação e colaboração resultante deste mapa que pode se manifestar também fisicamente.

O desenvolvimento da neuroestética pode ter diversas implicações no rumo da estética e da arte. Caso não haja correlato neural poderia ser possível afirmar que o belo é uma questão de gosto particular e relativo. Já a confirmação de uma correspondência neural poderia instaurar um estado de universalidade, um desencantamento da experiência do belo. Se ficou atribuído a Kant na “crítica da faculdade de julgar” uma revolução do gosto, estaria a neurociência fazendo uma nova revolução? Tratar a consciência como cérebro é algo cultural, que vem desde o iluminismo com o costume de se conceituar e teorizar o máximo possível e a estética é uma conceitualização do sentimento. Um tratamento material inauguraria corrente estética dentro das ciências, não finalizaria sua área de conhecimento. (GALLY) A neurociência apesar de compreender as ondas cerebrais não generaliza a experiência. (SEMELE)

Esta vivência humana vem tentando ser simulada através dos computadores e é nesta busca que se desenvolve a neuroestética, uma tentativa de compreender essa experiência através dos processos mentais(VENTURELLI), para possivelmente simulá-los ou quem sabe até reproduzi-los.

A experiência é permitida pelo reconhecimento do self, e portanto o discernimento do outro; da memória, da intenção como foco da sensibilidade e da emoção como catalisador da sensação de experiência que a torna memorável(FOGLIANO). Na verdade, a visão biológica e cultural coexistem e o nosso ambiente biológico é influenciado pela percepção e também pela tecnologia(SOGABE). Achei interessante a pergunta que o Milton Sagobe fez ao final da palestra: seriam os sensores uma tentativa de se dar um corpo ao cérebro que a tecnologia produziu.

Textos completos aqui:

 

Gameduca

Projeto de jogo/rede social para aprendizado da história da arte. O projeto é bem interessante e propõe que alunos e professores interajam a partir de criação de exposições virtuais. Quanto maior a contribuição, mais pontos ganham e podem adquirir novos status como historiador, restaurador, curador, etc. Além disso os alunos podem se reunir em grupos de interesse chamados coletivos. Enfim, um projeto muito legal desenvolvido por alunos da UnB com previsão de disponibilização online daqui a 2 meses.

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